19 de Abril – Data a ser lembrada

19 de Abril – Data a ser lembrada

Hoje é aquele dia em que as crianças saem da escola todas contentes de rostos pintados, com enfeites simulando cocares indígenas e outras coisas sem ao menos terem visto um índio de verdade em suas terras, mas a data é lembrada.

O que restou dos primeiros habitantes dessas terras rio-novenses além da lembrança em raros relatos de livros de história!?  Pouquíssimas coisas, alguns artefatos em museus e o nome da cidade. 

Um pouco após o fim da monarquia no país, a pequena cidade de Rio Novo (que praticamente não havia mais índios) teve mudanças consideráveis em suas lideranças política e também em seu nome que fora trocado por motivo pessoal pelo coronel Eduardo Lopes de Oliveira para o atual Avaré, denominação essa de um morro em sua propriedade aqui próxima que também tinha o mesmo nome.

Como em muitos municípios do interior paulista, nossa cidade tem sua toponímia uma derivação indígena que nesse caso vem da palavra “abaré” que pode significar na língua tupi, padre, missionário, homem solitário, homem de preto e por aí vai outros significados afins.

Claro que nossa sociedade assimilou muitas coisas relacionadas à cultura indígena em valores, culinárias, sabedoria, medicina, etc…  Mas da parte deles, há o que se comemorar!?  Desde a chegada do tal “homem branco” ao Novo Mundo tribos foram enganadas, caçadas, manipuladas e dizimadas aos milhares em todo continente americano.

Para ficar mais próximo da nossa história, abaixo está um trecho de um livro (Dos povos e nações indígenas http://celsoprado-razias.blogspot.com.br/2009/12/dos-povos-e-nacoes-indigenas.html) que relata personagens e povos que aqui passaram muito antes de nós andarmos de carro com injeção eletrônica em ruas pavimentadas a caminho do mercado para comprar mandioca já descascada e embalada.  Então voltando a uma pergunta anterior, há o que eles comemorarem!?!?     Até uma outra!!!

“As aldeias Caiuás eram levantadas em arco defensivo para conter a progressão dos fazendeiros além da serra Botucatu em direção ao rio Paraná. Com tal sistema de defesa e proximidades entre grupos, os Caiuás apresentavam grande mobilidade e fácil comunicação pelas matas, com isso a dificultar ações dos brancos. A resistência dos Caiuás durou até 1850 quando chegou José Theodoro de Souza para lhes destruir quase total, a partir do grande massacre de Abaré-y -Avaré (Donato, 1985: 106), num morticínio abrangente e sanguinolento, depois continuado cruel durante décadas a dizimar ou fazer recuar tribos e, em seu lugar fixar colonizadores até a conquista total do sertão Paranapanema.

 

Tribos Caiuá e Oti habitaram regiões paulistas desde Avaré a Santa Cruz do Rio Pardo, até que destroçados pelo bandeirismo mineiro de 1850/1851, com perdas de unidade tribal e identidade cultural, transformando-se em grupos vagantes, facilmente apanhados para escravizações.

 

Talvez um grupo Guayanã, com certa identidade tribal e denominado Botocudo, tivesse se fixado na região de Avaré até ser exterminado pelo bando do desbravador sertanejo José Theodoro de Souza, em 1850, sem notícias de sobreviventes ou registros de aldeados. Aparentemente o Botocudo ali convivia com alguma tribo regional Caiuá, também extinta naquela razia (IBGE: EMB, Volume XXVIII, Avaré / São Paulo, dados de 1957/1965: 99-100, R.J).

 

As ações de Theodoro não se limitaram aos Caiuás, perseguindo igualmente os Botocudos, os Otis e os Caingangues da região ou encontrados pelos caminhos de passagem do bando avassalador.
A progressiva destruição Caiuá, por José Theodoro de Souza e seu grupo, tinha o beneplácito do Capitão Tito Corrêa de Melo, líder político influente e mandatário maior de Botucatu e região, algumas vezes eleito deputado, por isso tais extermínios jamais repercutiram junto às esferas políticas da província e do império”

Twitter: www.twitter.com/mauriciobruno

E-m@il: maubruno@uol.com.br

www.facebook.com/ColunaDoMau

Previous Coluna para maiores – Sexo Selvagem
Next Universitários da Faculdade Eduvale participam do 27º Congresso da ABQM