A autoestrada

A autoestrada

Robson havia prometido participar do aniversário de 9 anos da filha Larissa, e estava atrasado. Na verdade, estava muito atrasado. E não queria perder o assoprar das velinhas novamente.

Por ser Policial, ano passado ele já havia se ausentado em razão de um plantão, mas desta vez as coisas haviam se encaixado e ele saíra do trabalho a tempo de participar, se fosse rápido.

Enquanto trocava mensagens de WhatsApp com sua mulher Simone, perdeu o controle do carro e se chocou contra uma árvore a 120 Km/h.

Muito embora não acreditasse em espíritos e nem em nada dessas coisas todas, Robson – até então um exemplar cabo da Polícia Militar – se viu estirado no chão, muitos metros adiante de onde seu Onix prateado jazia, agora transformado em um amontoado de destroços.

Passados alguns instantes percebeu que não estava sozinho, pois um homem acompanhava tudo de longe, mas com muita curiosidade.

Ao aproximar-se, Robson perguntou ao homem, sem nem saber seu nome ou o que ele fazia ali, quase impassível:

  • Eu morri?
  • Como você ia rápido e bateu numa árvore, a morte me parece a opção mais provável…

Robson olhou seu corpo novamente e começou a chorar convulsivamente. Pensar que jamais participaria de outro aniversário de sua filha piorava ainda mais as coisas.

Entre uma lágrima e outra, conseguiu perguntar ao estranho, que ainda continuava ali, imóvel:

  • O que acontece agora?
  • Nada.
  • E quem é você pra saber disso, seu idiota?
  • Eu não sou ninguém em especial, mas sei o suficiente para saber que a sua realidade não é mais nada do que tinha realmente sido programado para ser.
  • E o meu corpo, como vão me achar? Preciso ser enterrado como gente, no túmulo da família!
  • Fique calmo… Dentro de algumas horas o sol inclemente castigará o que já foi seu corpo, e ele passará a exalar um detestável odor adocicado de decomposição, chamando a atenção de todos os que passarem pelas redondezas.

Antes mesmo que Robson pudesse protestar contra aquela resposta cruel, o homem misterioso sumiu como se num passe de mágica, deixando para trás apenas imperar a escuridão total sem estrelas daquela noite fria de dezembro.

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