Algo de errado não está certo!

Algo de errado não está certo!

Segunda passada fez uma noite fria. Era feriado, então para a maioria das pessoas isso não foi um problema. Mas eu tinha uma importante reunião no Rotary para tratarmos da questão da poliomielite. Aparentemente muita gente está achando uma boa ideia não vacinar seus filhos, sabe-se lá porquê. Mas isso é assunto para uma outra hora.

Ocorre que após a tal reunião, Anelissa me ligou dizendo que estava no novo cinema da cidade, e que iria comprar o jantar no McDonalds. Tranquilo.

Conforme combinado, saindo do Clube, fui me encontrar com ela na referida lanchonete, a qual ficou muito agradável e se tornou o grande ponto de encontro da cidade, que há muito ansiava por uma representante da arcos dourados por aqui. Lá chegando, pude perceber que a mesma estava absolutamente abarrotada de gente, inclusive do lado de fora, apesar do já citado frio.

Após desagradáveis gélidos minutos, conseguimos sair com nossos lanches. Eu havia pedido um Big Mac com batatas, refrigerante e tortinha de maçã. Confesso que o conjunto da obra realmente foi capaz de me aplacar – ainda que momentaneamente – a fome. Mas não posso deixar de me indignar pelo fato de um pão com hambúrguer estar acabado com apenas seis mordidas… E pior fica quando você descobre que tal sanduíche custa mais de R$ 15,00! Algo de errado não está certo!

E, como todo mundo sabe, esse não é um problema da nossa cidade, eis que o McDonalds é uma rede mundial de lanchonetes. Inclusive, há por toda a internet, matérias narrando que o Big Mac vendido no Brasil é o sexto mais caro do mundo em 2018. No Brasil, ele sai por R$ 16,50 enquanto nos EUA o mesmo lanche custa US$ 5,28.

Talvez você diga: Mas 5,28 dólares, quando convertidos em reais na taxa de hoje, 12/07/2018, dá 20,50 reais. Certo, mas acontece que essa conversão não pode ser feita, porque não estamos comprando – no caso narrado – um Big Mac na terra do Tio Sam, mas sim na terra do Major Vitoriano, e que os ingredientes necessários para a produção do mesmo, a exceção eventual do maravilhoso “molho especial”, são todas nacionais.

Não podemos garantir a origem do “molho especial”, pois trata-se de um dos maiores segredos da indústria. Por essa razão, talvez ele seja importado da matriz ou de algum lugar por ela determinado e venha ao Brasil acondicionado em grandes potes transportados por navios de carga enormes. Isso faria com que o preço do lanche se elevasse em alguns centavos por unidade, mas não mais do que isso. Sem contar que o mesmo pode ser fabricado em território nacional, o que baratearia sobremaneira a logística de transporte, injustificando ainda mais, o preço elevado.

Mas isso significa que o McDonalds é culpado por toda essa situação? Não totalmente. Grandes executivos dizem que os gringos cobram caro em suas mercadorias por aqui, porque o brasileiro topa pagar por elas. Isso acontece sobretudo na indústria de carros, mas é prática generalizada.

Mas a principal razão de o preço do Big Mac ser tão alto por aqui é do chamado Custo Brasil, que pode – de maneira simplista – ser assim definido: União dos gastos com impostos, burocracia, má gestão, corrupção, infraestrutura precária, falta de segurança, saúde, educação e etc.

Não entendeu? Imagine que cada pneu estourado, cada atraso porque a carga ficou atolada numa rodovia sem pavimentação, cada caminhão que ficou na fila esperando por uma vaga no cais dos portos… tudo isso gera prejuízos para a cadeia produtiva. Acontece que o empresário não vai absorver tudo isso e muito mais no lucro dele, certo? Então quem paga a conta é a gente, porque as empresas – por questão de sobrevivência – repassam tudo isso nos preços finais de seus produtos e serviços.

A verdade é que o Custo Brasil não passa do tradicional pagar mais para receber menos, com que lamentavelmente já nos acostumamos. E como resolver isso? Botando gente competente no Governo, porque essa é a única maneira de resolvermos as coisas. Gente pouco estudada, aventureira e incapaz para o diálogo jamais vai nos proporcionar um país digno de seu tamanho continental para vivermos.

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