Branco

Branco

O branco me desafia.

Tinha uma história que eu estava escrevendo e que estava acho, que na decima terceira parte e que ficou no caminho. Eu tinha a história completa na cabeça e veio um branco, uma falta de vontade e um sentimento de descaso se apossou de mim e, não teve jeito, deixei de lado. Aquela história de amor e rock’n roll ficou prum outro dia que eu não sei quando chegará. O branco é uma força invisível que nos assalta e nos rouba, espero que por um tempo, por um tempo só…

Lá nos idos dos anos oitenta criei uma série de poemas que me vieram todas muito rápidas; eu pensava um tema, um pensamento e uma ideia e pronto, os versos com rima ou livres vinham naturalmente sem que eu precisasse me esforçar. Nos anos noventa, grande parte de minhas crônicas foram uma criação calma, sem sobressaltos. Eu imaginava, elas ficavam na minha cabeça por um tempo e depois era só pôr no papel, sem maiores dificuldades. Na década 00 desse novo século, não escrevi muito, estive trabalhando demais, mas, nos anos 10, principalmente de 2012 pra cá mantive a escrita sempre em dia e, escrevi, talvez, minhas crônicas mais bacanas. E veio esse estranho 2016. Estou vivendo um momento de ter um novo filho crescendo comigo, uma esposa linda, enfim, uma nova família e muito pensamento que poderia ir pro papel, mas…

Eu vou deixando pra lá e não consigo.

O branco não é a falta do que escrever, é a falta de motivação, de um leitmotiv ligado às coisas que já escrevi. O branco não é tão assustador, pois se existe, significa que somos capazes de vencê-lo mais dia, menos dia.

Hoje talvez eu o tenha vencido.

O leitor deve se perguntar de que vale o interesse sobre o que se passa com um diletante como eu, que gosta de escrever e torna público o que escreve nos sites de dois amigos. Pedro Paulo e José Renato durante meu branco já escreveram o que poderia tranquilamente virar dois livros, tanta coisa aconteceu, a Dilma perdeu o seu posto para um vice decorativo e o Lula está por ser preso; aqui, em Itaí, nossa eleição surpreendeu, o que para mim, foi muito positivo e enquanto isso eu abraçava o branco que não é o do Omo, que não é tão limpo e nem tão bonito.

De que vale me ler?

Talvez que eu continue no branco… Eu, que abandone esse costume, que deixe de vez e pare de insistir, pois, afinal de contas, ninguém sentirá tanta falta assim, né?

O branco me ensinou que ao escrever novamente terei que ser mais simples. De uma simplicidade ousada. Com uma ousadia sincera de uma sinceridade criativa, lírica. Esse branco foi acompanhado da leitura de muitos textos, vários poemas do Manoel de Barros e algumas crônicas dos cronistas que escrevem para os periódicos, entre eles Antonio Prata,  Gregório Duvivier e Luis Fernando Verissimo. Descobri que seus trabalhos são uma luta constante para vencer o branco. Que o branco os acompanha o tempo todo e que é só questão de necessidade vencê-lo.

Agora que consegui chegar até aqui, sou capaz de afirmar ao som de “Tempo Perdido” que está rolando agora, que essa tela do computador já não está branca, que venci.

E pude, idealizando um pouco constatar que: o branco foi bom enquanto durou.

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