Casa assombrada

Casa assombrada

Hugo já era um cara adulto, casado com Estela e pai de dois golden retrievers: Scooby e Homer.

Certa tarde, quando chegou do trabalho, se dirigiu até a cozinha, onde sua esposa fazia o jantar e decidiu comentar sobre uma conversa que ouviu no escritório:

  • Amor, hoje os caras do escritório estavam falando sobre Espíritos que assombram casas…
  • Certo…
  • Eles diziam que os antigos afirmavam que Espíritos não entram na nossa casa sem permissão.
  • Ainda bem – Disse Estela em tom de gozação.
  • Não zoa, é sério.
  • Não estou…
  • Então, eles ficam parados nas portas e janelas esperando para serem convidados a entrar, ainda que de maneira indireta.
  • Como assim?
  • Por exemplo, sabe quando a porta abre sozinha, por causa do vento?
  • Sei…
  • Então, aparentemente tem gente que brinca com a situação dizendo: “Pode entrar”.
  • E?
  • E coisas ruins acontecem, ué! O Espírito fica vagando pela tua casa, encostado nos moradores e visitantes até se tornarem obsessores.
  • Credo Hugo, deixa disso. Que besteira é essa agora!
  • De acordo com os caras do trabalho, se a gente quiser verificar se tem algo malígno na nossa casa ou não, ao anoitecer é preciso acender uma vela na frente da porta principal.
  • Hum…
  • Daí temos que dizer em um tom de voz calmo: “Se quiser entrar, a vela terá que apagar”.
  • E daí, o que acontece?
  • Se a vela apagar, significa que o Espírito está ali e quer entrar, bastando para tanto, que você convide.
  • E se a vela ficar acesa?
  • Aí significa que não tem Espírito nenhum ali.
  • E como faz para saber se a Assombração já entrou na casa?
  • Nesse caso, a vela iria cair…

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             TRÊS SEMANAS DEPOIS

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Assim que Hugo chegou em casa, percebeu que Estela estava perturbada, e os cachorros – geralmente calmos e gentis – estavam atiçados.

  • O que aconteceu, querida?
  • Acho que tem Fantasma em casa
  • Porque?
  • Coisas caíram sozinhas hoje…
  • Mas isso é normal, Amor!
  • Hugo, se você não me ajudar, eu não vou conseguir dormir!
  • Estela, você está exagerando.
  • Eu não sou louca, Hugo!
  • Não falei isso!
  • Mas pensou!

Hugo, sabendo que aquela discussão iria muito longe se permitisse, e querendo precaver-se de uma noite mal dormida, já que no dia seguinte iria levantar cedo para uma viagem de negócios, logo propôs que testassem a questão da vela. Ele sabia em seu íntimo, que aquilo tudo não passava de uma idiotice, lenda urbana clássica, por assim dizer.

  • Amor, pega a vela, o fósforo e um pires. Vou colocando duas cadeiras no lugar.
  • Tá.

Cerca de cinco minutos depois, Estela já havia providenciado tudo e chegou a tempo de ver Hugo retirando o tapete que recebia a todos que chegassem na residência do Sr. e da Sra. Zanardi com uma frase bem humorada: “Cuidado com os donos. Os cachorros são do bem!”

Nisso, percebeu que as cadeiras já estavam no lugar, postas lado a lado bem de frente para a porta, então sentou-se ereta e assistiu ao marido preparar todo o resto para a experiência.

Após abrir a porta da sala, acender a vela e posicioná-la bem no centro da mesma, Hugo sentou-se ao lado de sua esposa e, como quem não quer nada, calmamente disse:

  • “Se quiser entrar, a vela terá que apagar”.

Como esperado, nada aconteceu com a vela, que manteve-se exatamente como e onde estava.

Ainda assustada com a experiência realizada na sala de estar de sua casa, Estela perguntou ao marido, que a olhava com ar de riso:

  • Isso quer dizer que não tem nenhuma Assombração em casa?

Mas antes que Hugo pudesse sequer arquitetar uma resposta que não desagradasse Estela, o que lhe garantiria uma noite tranquila de sono, uma voz maligna e gélida respondeu a pergunta bem próximo ao ouvido dos dois:

  • As coisas não são tão simples assim…
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