Casa das Cartas

Casa das Cartas

Provavelmente você já saiba que House Of Cards é uma série do Netflix, que tem como protagonista o brilhante Kevin Spacey no papel do inescrupuloso político (quase uma redundância!) Frank Underwood. Mas uma coisa que você provavelmente não sabe, é que o seriado é uma adaptação do romance homônimo escrito por Michael Dobbs e da minissérie britânica criada por Andrew Davies.

Eu estou lendo o livro e assistindo a série ao mesmo tempo, porque gosto de mergulhar completamente no mundo criado pelos autores. Com isso, logo descobri que a mesma – embora seja baseada no livro – é quase completamente diferente deste. A começar que no Netflix, o personagem principal se chama Frank Underwood e é um congressista americano. No livro, por sua vez, o personagem se denomina Francis Urquhart e atua como membro do parlamento de Sua Alteza Real, a Rainha Elizabeth. Mas, como disse acima, há semelhanças. A principal delas são as frases de efeito disparadas pelo personagem central.

 

E daí que estava dando aquela passada d’olhos no livro ainda na Livraria Cultura, quando leio na abertura do capítulo 13, uma tirada de Francis Urquhart: “Antigamente, Westminster era um pântano à beira do rio. Então eles o transformaram, construíram um palácio e uma grande abadia, fizeram-no crescer em altura, com nobre arquitetura e ambição insaciável. Mas no fundo, no fundo, ainda é um pântano”. Confesso que na mesma hora, me lembrei de um comentário feito por um amigo advogado, em seu característico tom sarcástico: “Você sabia que onde hoje é a Câmara, antes funcionava um matadouro?”

Ri da piada, afinal acredito piamente que a vida precisa de humor para ser bem vivida. Mas foi só. Aquela frase foi – sem que eu sequer suspeitasse – arquivada em minha memória… até a noite da última segunda-feira, 3. É que na oportunidade, a presidente da Câmara, Bruna Silvestre encerrou a Sessão de inopino, após ouvir os vereadores Dr. Ernesto e Barreto atacarem-na por ter se posicionado contra liberação de verbas para a realização da FAMPOP.

Quem presenciou a cena, constatou que a parlamentar debutante utilizou o microfone aos berros enquanto apontava o dedo para Ernesto e Barreto. Para os presentes, ficou a sensação de que Bruna poderia, a qualquer momento, agredir fisicamente seus colegas. Tanto é que, visando impedir que a coisa degringolasse ainda mais, o vice-presidente da Casa, Marcelo Ortega começou a posicionar-se mais próximo da jovem presidente, para acalma-la.

A cena descrita acima e a história do matadouro, aplicada ao ensinamento do livro me fizeram imaginar instintivamente:“Antigamente, no atual prédio da Câmara, funcionava um matadouro. Então eles o transformaram, construíram um anexo e um grande plenário, fizeram-no crescer em altura, com arquitetura tradicional e ambição insaciável. Mas no fundo, no fundo, ainda é um matadouro”. E ainda dizem que a vida imita a arte!

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