Duas histórias de outono

Duas histórias de outono

Se algum desavisado passasse pela rua Expedicionários na altura da escola “João Michelin” e também em parte da avenida próxima à pista de skate, acharia que a prefeitura fazia ali uma limpeza pública especial. Não se via um papel de bala no chão. Qualquer pessoa se surpreenderia ao saber que em um perímetro de um quarteirão a limpeza diária das ruas e calçadas era feita por um “figura”, desses que só Itaí produz. A prefeitura municipal nada tinha com isso.

Carlinhos, o “calica”, tinha como mania ou hobby catar com as próprias mãos as “sujeiras” das proximidades da sua casa. Era sempre em silêncio, e na maioria das vezes sem camisa, que a tarde catava papéis, lixo, embalagens, garrafas, enfim, o que encontrava de sujeira grossa ele punha em sacolas plásticas e levava para o quintal da sua casa.

Seu semblante era o de alguém que fazia tudo aquilo como estivesse em uma missão e a serenidade que ele me passava, quando eu o via, não me permitia ver aquilo de uma forma pejorativa ou menor.

A vida é passageira. E são nossos atos que marcam essa passagem, mesmo os mais prosaicos, os mais simples. Carlinhos se foi. Dessa para melhor como se falam por aí. Vitimado por um desses tipos de câncer que atingem muita gente pelo mundo afora, essa doença infalível e indecente. Mas… Sua lembrança virá sempre que eu passar ali pelas imediações do “campão” e ao olhar as calçadas e as ruas ver o estado que elas ficaram sem sua presença.

A sua ausência é testemunhada na sujeira incólume que os caminhões de limpeza não conseguem limpar. Um poema…

A burocracia no microcosmo itaiense:- fui ao posto de saúde, afim, de marcar um exame. Peguei a guia do médico e me dirigi até a sala 26 (algum itaiense sabe se existem outras 25 salas?). Sala vazia e imaginei que estavam almoçando. Era umas onze e pouco da manhã.

No outro dia encontrei a sala vinte e seis apinhalada de funcionários. Um deles me informou que antes de marcar o exame eu deveria preencher o restante da guia na sala de curativos. Isso mesmo, sala de curativos! Fui até lá e a sala estava vazia. Cinco ou seis minutos depois um enfermeiro (estava de branco…) veio me atender e nem me esperou falar, ao ver a guia em minhas mãos me avisou que eu tinha que ir até a recepção porque era lá que se fazia o serviço com o papel.

Na recepção tive que aguardar, pois a atendente responsável pelo preenchimento da guia estava ocupada. Outra atendente estava tranquila ali ao lado, mas, essa função não é a dela.

E o que era o preenchimento? Após dez minutos de espera respondi a quatro perguntas: nome da mãe, endereço, telefone e o número do cartão do SUS. Era isso que o rapaz lá da sala vinte e seis não podia fazer porque não era sua função…

Depois do preenchimento tive que voltar à sala 26.

Lá o mesmo rapaz que não pôde preencher o restante da guia me informou que o horário para marcar exame ia até às 13 horas. Já era 13 e trinta e cinco! Fiquei me perguntando por que cargas d’água ele não havia me informado isso antes?

No dia seguinte lá fui eu novamente levar a bendita guia. Entreguei-a e fiquei esperando para saber o dia do exame. Qual não foi minha surpresa quando soube como funcionava aquilo. Eu tive que deixar a guia no balcão com o rapaz que falou sorridente que depois eu receberia uma ligação informando o dia e o horário.

Pergunta que não quer calar: por que horário para entregar uma guia, que será arquivada, junto às outras estando numa “fila” na prática?

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