Inspiração

Inspiração

Muitas vezes, não é possível sequer que consigamos definir de onde a inspiração vem. Ainda mais se ela vier na forma de epifania. Mas en passant, podemos dizer que inspiração é o pensamento que nos ocorre de repente.

Mas algumas vezes, é possível que tenhamos condição de dizer exatamente de onde a inspiração vem. É o caso do músico Neil Peart, da banda canadense Rush, que é fã de carros, e leu um artigo indignado, de um cara que achava que algumas leis norte-americanas estavam influindo negativamente na aparência dos carros recém-lançados nos anos 80. Foi o que bastou para que ele se inspirasse para escrever a clássica Red Barchetta, que conta a história de um sujeito que tinha uma Ferrari 166MM, e que só podia dirigi-la em segredo, pois o carro não obedecia os padrões adotados no futuro, onde os carros eram gigantes, beberrões e feios a ponto de seus donos não se importarem em batê-los.

Há ainda, outro tipo de inspiração: A que não traz nada além de um simples gancho para que possamos elaborar uma ideia complexa. Foi o que aconteceu com o designer Toru Iwatani, que percebeu durante um jantar com os amigos, que uma pizza com uma fatia em falta lembrava uma boca aberta. Foi o que bastou para que ele criasse o clássico PacMan, onde os jogadores tem o objetivo de comer pastilhas em um labirinto, fugindo dos quatro fantasmas denominados Blinky, Pinky Dink Doo, Inky e Clyde, que se escapam de uma prisão.

Outras ideias, no entanto, precisam ser vastamente alimentadas em nosso subconsciente para ganharem corpo e terem condição de virem a tona em nosso consciente. Foi o que se sucedeu com o escritor Ian Fleming, que antes de criar o mítico personagem James Bond, teve de trabalhar como oficial da Inteligência Naval do Reino Unido, sobretudo no planejamento das Operações Mincemeat e GoldenEye. Ou seja, foram anos de pequenas inspirações, para que 007 pudesse sequer existir conscientemente na mente do premiado escritor.

Finalmente, há ainda as inspirações provocadas. Ou seja, as que acontecem somente porque somos forçados a nos adaptar a novas realidades. É o caso do músico Dave Grohl, que ao invés de ir para o estúdio e gravar mais um disco de rock, preferiu levar o seu Foo Fighters para perambular pelos Estados Unidos, atrás das cidades de Austin, Chicago, Los Angeles, Nashville, Nova Orleans, Nova York, Seattle e Washington DC atrás de uma inspiração genuína. Daí saiu o novíssimo e fantástico Sonic Highways, álbum que pode ser chamado de tudo, menos de comum.

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