Mad Jack, um herói de guerra pra lá de esquisito

Mad Jack, um herói de guerra pra lá de esquisito

John Malcolm Thorpe Fleming Churchill, ou simplesmente Mad Jack, foi um militar britânico nascido em 16 de setembro de 1906 em Surrey. Ele foi duplamente condecorado com a Ordem de Serviços Distintos, por sua atuação na Segunda Guerra Mundial.

“Mad”, em inglês significa “louco”, então o apelido desse militar condecorado era algo como “Jack Louco”. Isso porque ele sempre ia ao campo de batalha utilizando um arco longo e uma espada do tipo claymore, além de sua inseparável gaita de foles.

Mad Jack serviu na Birmânia com o Regimento de Manchester. Ele saiu do exército em 1936 e trabalhou como um editor de jornal.  Em maio de 1940 ele e sua unidade emboscaram uma patrulha alemã em L’Epinette, na França. Lá, Mad Jack deu o sinal do ataque atirando no sargento inimigo com uma flecha, tornando-se o único soldado britânico a matar um inimigo com um arco e flecha na Segunda Guerra Mundial.

Depois de lutar na Batalha de Dunkirk, ele se ofereceu como voluntário aos Commandos, ficando na vice-liderança da Unidade 3 durante a Operação Archery, que realizou a invasão em uma fortificação alemã localizada na Noruega.

Nesta oportunidade, quando as rampas do primeiro barco desceram, Mad Jack desembarcou tocando “March of the Cameron Men” em sua gaita de foles, logo antes de atirar uma granada e ir para a batalha. Segundo ele, tocar o instrumento o fazia “entrar no clima” de guerra. Pelas ações que executou em Dunquerque e em Vågsøy, recebeu a Cruz Militar.

Em julho de 1943, no posto de liderança, Mad Jack chefiou o segundo Commando na Sicília com uma espada escocesa pendurada em sua cintura, um arco longo e flechas em volta de seu pescoço e com sua gaita de foles debaixo dos braços.

Certa feita, à Mad Jack foi dada a missão de capturar um posto de observação alemão fora da cidade de La Molina, de onde eles controlavam uma passagem que levava à praia de Salerno. Assim, capturou o posto e fez 42 prisioneiros, incluindo um esquadrão de morteiros. Mad Jack levou os homens e prisioneiros de volta pela passagem, com os feridos sendo carregados em carrinhos empurrados pelos prisioneiros alemães.

Diante de tal situação, ele comentou que aquela era “uma imagem das guerras napoleônicas.” Por sua atuação nessa missão, ele foi condecorado com a Ordem de Serviços Distintos.

Mas nem tudo deu certo na carreira militar de Mad Jack, já que ao tentar tomar o Point 622, em Braga, ele foi rendido pelos alemães, e viu 6 companheiros serem mortos por um morteiro. No momento, ele estava tocando “Do You no Come Again” em sua gaita de foles.

Levado para Berlim, ele foi interrogado e levado para um Campo de Concentração, de onde fugiu sem maiores dificuldades, sendo capturado novamente e levado para um outro.

Nesse segundo Campo, ele empreendeu outra fuga e precisou caminhar por 240 quilômetros sem comida ou água, até a Itália, oportunidade na qual foi resgatado pelo exército americano.

Mad Jack chateou-se por ter perdido boa parte da Guerra em razão de ter sido preso em Campos de Concentração. Por isso, decidiu dirigir-se a Burmo, no Japão, onde ainda havia conflitos. Entretanto, ao chegar na Índia, foi informado de que os Estados Unidos tinham acabado com a Guerra ao jogar as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki.

Quando soube da notícia, desolado, proferiu a seguinte frase: “Se não fosse por esses malditos americanos, nós poderíamos ter continuado essa Guerra por mais 10 anos”.

John Malcolm Thorpe Fleming Churchill, o popular Mad Jack, faleceu muito depois da Segunda Grande Guerra Mundial, em razão de sua idade avançada, em 8 de março de 1996.

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