Miss Cilindro de Oxigênio

Miss Cilindro de Oxigênio

Esses dias fui ao médico. Coisa de rotina para verificar se vou continuar vivo e respirando por mais algum tempo. Para a alegria de uns e tristeza de outros, meu corpinho deve aguentar o tranco mais algumas décadas, de acordo com o médico!

Mas, voltando ao assunto: O consultório estava absolutamente lotado, o que me obrigou a esperar longamente pelo atendimento.

Fuço no Facebook daqui, mando vídeos de bebês fofos e gatinhos arteiros no WhatsApp dali… e o tempo parece se arrastar. Os ponteiros do relógio só andaram 10 minutos, no máximo.

Conforme o tempo passa, as pessoas vão sendo atendidas e eu vou ficando sozinho na sala de espera com o ar condicionado funcionando ao máximo. “Deve ser para a gente pegar uma gripe e dar no mínimo algum dinheiro para o médico”, penso eu.

Eis que, enquanto meu pensamento divagava entre uma teoria da conspiração gripal e outra, surge uma loira escultural e se senta do outro lado da sala. Digo apenas “oi” e fico na minha. Não a encaro e nem nada, pois sou um cara fiel, casado e feliz.

Só que ela continua a me encarar de maneira estranha. Após descartar as hipóteses clássicas: “Será que tem um alface no meu dente?” e “Será que o zíper da minha calça abriu?”, concluo que “Deve ser pela cadeira de rodas”.

Não consigo entender o porquê de as pessoas se espantarem tanto com uma simples cadeira de rodas elétrica, mas na verdade já me acostumei a isso tanto quanto possível.

Voltando ao assunto mais uma vez: Após um encontro de olhares constrangedor, a senhora Miss Cilindro de Oxigênio vem em minha direção andando tal como uma daquelas mulheres de biquini caminham segurando uma cerveja nos comerciais da AMBEV, momento o qual uso para bolar o que dizer e acabar logo com seus sonhos de romance com a minha pessoa, afinal, como disse acima, sou um cara casado.

Quando ela chega – após atravessar a recepção toda – começamos a conversar:

  • Oi! Meu nome é Vanessa, e o seu?
  • Oi… eu sou o Renato!
  • Então, Renato. Desde que entrei aqui, reparei em você…
  • Certo…
  • É que eu vendo cilindros de oxigênio.
  • Sei…
  • Como você está na cadeira de rodas, achei que…
  • Moça, eu pareço estar com dificuldades para respirar?
  • Não…
  • Então.
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