Nova mania nas salas de aula

Nova mania nas salas de aula

Sem duvida um dos rituais mais bacanas dos tempos de escola é o das compras/aquisição do material escolar. Comprar canetas, o estojo, a mochila, os lápis de cor, apontador, borracha e outros “apetrechos” úteis ou inúteis se constituem em algo extremamente prazeroso, fonte de alegria e negociação entre pais e filhos. Sei que os adolescentes não veem a hora de poderem participar desse ritual e ficam todos contentes quando podem observar todo o material comprado prontinho para ser usado.

Começam as aulas e junto com elas os novos rituais. Um deles tem chamado minha atenção, mas de forma negativa. Os alunos se ocupam de simplesmente roubar o material alheio. Sim, meus caros, é a realidade. Os coitados que estão com todo o material em dia assistem seus estojinhos serem pilhados sem dó nem piedade. Qualquer reclamação, afirmam, é inútil como muito compasso, simplesmente porque segundo dizem não há o que se fazer. Roubam descaradamente, a qualquer descuido. Não poupam nada, e na maior parte das vezes nem usam o item roubado, roubam por roubar.

Que desvio de personalidade é esse? Em que ainda tão novos acham diversão em pegar o que não lhes pertence, assim, pelo hábito ou costume de pegar. Considero que se trata de fenômeno autenticamente brasileiro, ou itaiense, talvez. Acomete jovens alunos de diferentes classes sociais, cores e idades. Fico sabendo disso por eles mesmos, que nesse já rápido fim de ano, fim de mundo põem no final da aula a mochila nas costas pra evitar novos roubos. Eu, estupefato, pergunto se não reclamaram pra direção, afinal de contas temos câmeras nas salas e ouço que de nada adianta. Pois, quem tem que cuidar do material é o aluno. Aluno que pra ajudar a qualquer reclamação/protesto mais forte, roubado vira motivo de piada e chacota diante da turma toda na sala.

Que país é esse, Em que roubar é diversão infanto-juvenil? Senhores pais, o que acham de terem filhos que gostam de se divertir pegando coisas dos outros e não devolvendo?

Pois é assim, e não de outro jeito, que infelizmente vejo o que acontece. No início do próximo ano muitos pais tirarão muitas vezes de onde não tem, para comprarem material novinho só para ver o filho feliz.  Esse mesmo material que será alvo de gatunos durante o ano letivo.

Algo tem que ser feito, senão fica cada vez mais fácil entender o porquê de aceitarmos passivamente sermos (des) governados por uma organização criminosa. Onde malas de dinheiro ocupam cômodos de apartamento, ou são levadas num corre-corre matreiro. Onde um presidente da república acha conveniente atacar a própria justiça do país ao invés de se defender, em que um congresso se prostitui em troca de emendas parlamentares com o único objetivo de se manter no poder.

Exagero? Pensa bem se não tem a ver uma coisa com a outra. São esses os próximos eleitores, estudantes que em suas vidas escolares gastam seu tempo não estudando, mas roubando borrachas e canetas dos colegas de classe.

Somos um povo muito esquisito, isso sim…

Marco Antônio de Almeida

 

 

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