O Flamboyant da minha escola

O Flamboyant da minha escola

Por mais de 10 anos frequentei uma escola perto de casa conhecida como “Industrial”. Logo de cara, no antigo primário tudo parecia muito grande, desde a professora, bedéis, carteira, cadeira, lousa, pátio ou cantina, isto porque éramos bem pequenos e na medida em que o tempo foi passando, eu mais meu amigos crescendo, os objetos e pessoas “diminuíram”, também as brincadeiras do intervalo ou de folga foram mudando, o que era brincar de bolinha de gude, bafo com figurinhas e “lenço atrás” no pátio mudou para os esportes em quadra ou qualquer espaço onde se dava pra bater uma bola.  

Mas havia algo nesse lugar que passava por vezes despercebido, um flamboyant ao lado de uma sibipiruna rente ao alambrado para a Rua Domiciano Santana. Quantas boladas deve ter tomado de nós!?  Quantos rabiscos de bic com juras de amor eterno e confissões estão esculpidos em seu tronco!? Quantos lanches, papos para o ar ou teorias revolucionárias sua sombra proporcionou!?  Quantos “auxílios” para pular (não façam isso crianças!) o alambrado dando fuga para a rua e matar alguma aula numa sexta-feira!?

Chega uma hora que a velha escola não te comporta mais e tem que procurar os estudos em outras instituições, mas sabe que tudo continuará lá.  Passado uns anos voltei a essa mesma escola como estagiário, encontrei diretor, professores e pessoas diferentes, tudo agora sensivelmente pequeno, porém perto da quadra lá estava ele no auge de sua forma e mais majestoso, o flamboyant.  

Hoje, tempos depois, transito obrigatoriamente pela rua ao lado da escola todos os dias, o alambrado recebeu a ajuda de um muro alto quase prisional impossibilitando qualquer “fuga” juvenil, outras árvores cresceram em volta da escola, a quadra ganhou cobertura fazendo uma sombra bem maior, a sibipiruna continua fielmente ao seu lado e ele ainda imponente. Não sei em que ponto exato a vida dos adultos se torna corrida, às vezes parece que as coisas que de alguma forma estiveram sempre presentes juntamente com a tua existência passam a ter uma importância injustamente reduzida, fico imaginando se algum dentre os milhares de crianças e adolescentes que estudaram na “Industrial” (PAN) lembra do velho flamboyant do canto da escola. Ele continua no mesmo lugar, testemunhando o crescimento de todos por ali, florescendo um vermelho vibrante no final de todo outubro, talvez pela felicidade de mais um ano e etapa se completando de conquistas de cada aluno, professor ou funcionários e quando novembro se finda, as flores caem como lágrimas de uma saudade antecipada de um tempo que não mais voltará.  Até outra!!!

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