O que eu não escrevi

O que eu não escrevi

Faz tempo que não escrevo. Falta tempo. Confesso: ideias até que não faltam, só que com a idade meu nível de exigência aumentou e se não tenho tempo de escrever com calma, reescrever e trabalhar o texto a ponto dele ficar publicável (ou “postável”), acabo deixando a ideia de lado.

Dia desses quis escrever sobre Marina Silva e sua performance eleitoral/eleitoreira… Como faltou tempo fiquei sem dar a opinião de que ela é e sempre será uma promessa…

E em certo momento da campanha pensei em falar do Aécio Neves mais uma vez e da lembrança que tenho do dia da morte do avô dele. Foi um dia ensolarado e com ventos angustiantes. Foi o dia que conseguiram acabar com aquela música do Milton Nascimento. E acharia um jeito de citar o Evaldo, um primo irmão meu que conseguia na década de oitenta ser ao mesmo tempo punk e gostar do Milton Nascimento (o melhor timbre do mundo). Que pena que não tive tempo…

Mas com as inúmeras atribuições do dia a dia fica difícil encontrar tempo para pôr no papel essas coisas. Outro dia lembrei da minha infância. Quando roubávamos goiaba, laranja e jabuticaba na chácara do Bráulio. Também tive dificuldade em lembrar se era esse o nome mesmo, sei que seria uma história legal, inspirada no filme “Conta Comigo” com a lembrança de conversas que valeram aulas de viver. “O moleque que fui moldou o homem que penso ser”…

Tantas coisas vieram à cabeça. Por exemplo, minha vontade de escrever mais sobre a Flipper Dance e sua mágica. Um dia ainda escrevo sobre Madonna, uma de suas assíduas frequentadoras. Vocês devem imaginar o porque do apelido… E ao invés de escrever o que fiz? Organizei um evento para reviver a Flipper…

Outra história de excursão?

Fica para outro dia, assim como a história da primeira vez que conheci o mar, fui apresentado à água salgada e quase me afoguei…

Uma crônica de show? De quando me perdi de minha turma ao final do show do Iron Maiden em Interlagos. De como no meio de sessenta mil “camisas pretas” me aparece do nada o Franklin, que não tinha ido com a gente e estava na casa do Guinho lá em Sampa. Ele acabou perdendo o celular no meio da lama lá no autódromo e acabou me ajudando a encontrar a van. Fui o último a chegar e todos me esperavam atônitos, já que era eu o organizador da excursão…

Mas para escrever essa crônica preciso falar de tudo que envolve aquele dia, a importância da banda de rock inglesa e o quanto eu gosto de ir a shows de rock… Shows de rock são terapia…

Passou pela minha cabeça escrever sobre a teoria muito bem vinda do Mário Prata de que dos 45 aos 60 anos de idade o homem vive a “envelhescência”, (existe a adolescência onde o jovem se prepara para a fase adulta e a envelhescência onde o adulto se prepara para a velhice), mas…

Falta tempo.

Sei que aos quarenta e quatro anos teimo em ser otimista…

Em ver nuances de nostalgia e poesia em coisas pequenas, como esse fim de ano que está chegando tão rápido que já era… Foi.

Torço para que isso aconteça com vocês também, mesmo que vocês não sejam assim como eu e gostem de escrever, que suas vidas sejam cheias de histórias para contar… Que falte tempo a vocês também…

Eu espero continuar tendo histórias pra contar e não ter tempo para escrevê-las…

De coração.

 

Marco Antônio de Almeida

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