Pormenores

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* Sobre novela

Sempre fui noveleiro. E sempre fui modéstia a parte, um bom analisador de novela. E, portanto é bom saber que a nova novela escrita pela Glória Perez se mostra surpreendente. Num enredo próprio de um puro folhetim, dessa vez, o que me chamou a atenção é a maneira como ela está contando essa história. Tratando sempre das coisas iniciais, daquilo que vem antes, seja o início de um romance entre dois jovens muito diferentes; o início e o que leva alguém a cometer uma traição; a transformação de um pai de família em um agente do tráfico e assim por diante.

O que chamou minha atenção é o cuidado como ela trata desse processo de mudança a que todos nós estamos sujeitos. No caso da garota que está em duvida quanto á sua sexualidade o que vemos é o lento desenrolar de fatos que a envolvem em descobertas e duvidas. Percebe-se sua angustia constante, o que de certa maneira reflete o que realmente acontece com muitos jovens. A atriz que vive Ivana é excelente, o que contribui e muito para que a história se torne “assistível”.

Novela na tevê, eu sempre atentei para esse fato, é coisa de brasileiro!

* Sobre corrupção

Sempre fui de acompanhar a política meio que como um jogo. Aprendi com meu pai que em política na maioria das vezes não existe nem certo nem errado, existe o que é possível, o que dá para fazer. Joesley Batista foi esperto e usou e abusou da política porque os outros sempre viam no que ele pedia e pagava para obter o que dava para fazer… E como faziam!

Ao tentar dar ares de normalidade à visita noturna do megaempresário o nosso presidente ex-vice decorativo, foi muito nada a ver. Verdadeiro malandro otário. Nada mais incoerente do que o presidente da República de um país se dar ao desplante de valorizar uma pessoa investigada pela

 

policia federal do próprio país, a ponto de recebê-lo em horário no mínimo, estranho, numa residência oficial. Aliás, o Jaburu é um nome muito oportuno.

E o que a primeira dama está sentindo? Ela apenas observa, ou recatada e do lar, procura apoiar o marido? Onde ela se encontrava enquanto seu esposo confabulava sem saber que estava sendo gravado? Esses questionamentos não tem nenhuma importância quando compreendemos que para a História, essa com agá maiúsculo, o nome dela será apenas um registro daqueles que servem apenas para constar. É meio triste isso, mas é fato.

Porque simplesmente para falar a verdade, não somos bons em histórias particulares que envolvem os lares dos nossos políticos, somos bons é com a contabilidade do dinheiro da corrupção. Corrupção passiva e ativa na política, já sabemos, é coisa de brasileiro!

* Sobre música

Talvez eu seja polêmico. É que essa música, “Trem Bala”, da Ana Vilela é realmente bonita e tal… Tem versos que exprimem sentimentos, valores e desejos belíssimos, tem métrica na composição e tal, mas… Quando a ouço, sinto que falta algo.

Na verdade é mais uma daquelas músicas ótima para se ouvir no início de um almoço de família, por exemplo… Todos devem saber do que falo. Reunião de família onde não acontece discussão ou contrariedade não é normal. No final sempre tem…

Posso estar sendo ranzinza, mas prefiro músicas que embora valorizem os bons sentimentos, expressem isso de uma forma realista. “Trem Bala” é uma linda canção, mas não é um clássico.

E lindas canções, são com a gente mesmo!

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