Um Amor Rock’ n Roll – parte 11

Um Amor Rock’ n Roll – parte 11

Cláudio tinha um apelido. Era o “carne moída” e entrou na banda de tanto insistir. Tocava bateria, mas acabou assumindo o contrabaixo. Era muito fã do Pink Floyd e demorara para entender que aquele som viajadão não era o que o Willian queria. De nariz achatado, de testa achatada e de pescoço muito pequeno dava pra entender o porquê do seu apelido…

Grilão era muito cabeludo, o que ajudava… Com seu um metro e noventa também impunha um respeito que a banda precisava. Tocava bem a bateria e compunha umas musiquinhas bobas que poderiam até fazer certo sucesso no futuro. Ele tinha um jeito de falar que também chamava a atenção. Parecia que ele nascera para fazer parte de uma banda de rock; vivia com a mesma bermuda encardida e com uma pose de rocker que chamava a atenção…

Beto era um NA (narcótico anônimo) e conheceu o Willian numa de suas internações. A que não seria a última. Tinha ele uma queda para o drama com sua aparência de eterno adolescente. O detalhe é que ele tocava muito bem e compunha também. Quem seria o louco a não querê-lo na banda?

Willian, o eterno apaixonado que tivera a ideia de montar a banda. O errante que faria de tudo para conseguir fazer sucesso com aquela empreitada. O jovem que amava o Nirvana e o Guns’n Roses e que queria um som cantado em português que pudesse parecer com o que sempre ouvia no seu aparelho de som… Com seus olhos apertados e os cabelos desalinhados, a testa lisa e a roupa sempre amassada, lá estavam nosso Will montando sua banda de rock.

E assim se passaram quase três anos até que conseguissem atrair atenção. Pagaram muito mico se apresentando em casernas e botecos. Lanchonetes e festinhas… Até que finalmente num desses dias nublados de fevereiro, em 1994 um cara de gravadora ouviu uma de suas fitas cassete e resolveu fazer uma aposta. A banda precisava agora só de um bom nome…

Kátia era descolada na medida. Desbocada falava o que pensava sempre… Quem a convidou não a conhecia bem, mas fazer o que? Ela já estava morando na república e fazendo o que sempre fez na casa dos pais permissivos. Loira oxigenada e metida à espertalhona sempre acabava comendo o último biscoito do pacote, bebendo o resto da água gelada e chegando mais tarde da balada…

Laura, convidada por Marina, era a mais centrada de todas. Uma descendente de alemães que veio de Curitiba e que em qualquer momento sempre comparava a capital paranaense à cidade em que foi obrigada a morar para fazer faculdade… Morena e baixinha, também era aquela que sempre estava a disposição para ouvir os desabafos da amiga.

A república era uma casa com cinco cômodos (sala, cozinha, copa, dois quartos e dois banheiros, um deles fora, junto à lavanderia). Quem tratou de todos os pormenores para o aluguel da casa e a fixação das estudantes foi o pai de Kátia, um advogado, que queria que a filha tivesse todo o conforto possível.

Marina, a Mana, era uma apaixonada pelos estudos que também gostava de manter a república sempre em ordem exigindo assim que as amigas estabelecessem uma rotina de limpeza e asseio. Aquilo era visto por elas como um indício de uma certa insatisfação… “Falta de homem…”.

E assim passaram-se quatro anos…

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