Um Amor Rock ‘n Roll – Parte 13

Um Amor Rock ‘n Roll – Parte 13

“Speed Leg – 2” saiu em janeiro de 1997. Trouxe na capa os quatro integrantes da banda segurando partes de um bimotor num descampado escolhido durante a turnê do primeiro disco. As músicas “Doce Pancada” e “Uma Chance” viraram hits do verão daquele ano. Eles acabaram participando de todos os programas de auditório da TV aberta brasileira. Porém, sucesso não rima com prazer. Willian parecia insatisfeito com todo aquele circo midiático. Estar no palco era muito bom, só que alguma coisa estava fora do alcance, nos outros momentos, pedindo para entrar e isso o deprimia muito.

Com os processos dos primeiros clientes Marina teve um verdadeiro ensaio e uma ideia panorâmica do que seria sua profissão. Um processo muito abrangente de resgate financeiro de uma grande empresa do setor imobiliário, com sede em Sorocaba; um acerto de pensão alimentícia de um empresário com a ex, chata e renitente e um pedido de ressarcimento por prejuízo indevido em local de trabalho de um jovem executivo, foram peças que pareciam se encaixar num aprendizado constante que estava apenas começando. A gente aprende de verdade na prática, isso é fato.

Marina resolvera se instalar na casa dos pais e voltou à velha rotina dos tempos de adolescente. Uma vida mais regrada com almoço e janta e menos fast food. Sem falar na atenção que sua família dava. O quarto era o mesmo com o enorme pôster emoldurado do Guns ‘n Roses na parede. Sempre que olhava para aquela enorme foto que mostrava Axl e Slash em primeiro plano lhe vinha à cabeça a noite maluca em São Paulo do seu passado de roqueira. A nostalgia e a saudade se misturavam.

Numa das primeiras noites, nesse quarto, após estudar um dos casos, Marina ligou o velho aparelho de som, pegou “Appetite For Destruction”, colocou pra tocar e dançou com suas sombras e seus pensamentos. Sentiu-se leve como há muito não se sentia.

Para Will, a lembrança do show do Guns, o primeiro grande show de sua vida lhe vinha à cabeça sempre que ficava sozinho com seus pensamentos. Se o fato, de ter se envolvido com drogas, mesmo que por pouco tempo, tenha sido determinante para sua escolha profissional, o show, a viagem, tudo que envolveu aquele dia foi o início inspirador, sem duvida alguma. “A vida da gente depende mais do acaso que das leis que a sociedade formula, talvez para evitar o poder da própria sorte”.

A turnê do segundo disco e o sucesso obrigou a banda a se apresentar quatro, cinco vezes por semana. Uma verdadeira maratona. Um segundo caminhão com aparelhagem foi comprado, para agilizar as montagens dos palcos e com isso, garantir com que tudo corresse bem.

Marina ouviu a balada “Uma Chance” sem saber que aquela banda era do Willian. Imediatamente, viu que havia um pouco de “November Rain” na música. Aquilo coincidentemente a fez lembrar Willian…

O mesmo jovem que num rompante de ousadia, pediu ao empresário que não marcasse shows no mês de junho. Ele queria férias. O restante da banda, principalmente Beto, não gostou muito, mas Will argumentou que se não descansasse sua cabeça, visitando seus familiares, iria pirar.

Abril e maio transcorreram da melhor forma possível com shows cada vez melhores e lotações máximas. Ouvir Speed Leg era cool!

Mas…

As coisas têm que acontecer.

No último show da turnê antes da parada estratégica requisitada por Will, aconteceu um tumulto na fila de entrada que acabou com correria, pessoas sendo pisoteadas e um jovem desmaiando. Esse jovem foi devidamente socorrido, mas por se tratar de um filho de um advogado famoso da cidade de Avaré aquilo traria dissabores para a banda.

O acaso às vezes sabe é mais forte como nunca…

Previous Estudantes da Eduvale estagiam e participam de Congresso da ABQM
Next O dia em que me tornei um adulto