Um Amor Rock’n Roll – Parte 12

Um Amor Rock’n Roll – Parte 12

O palco fica muito quente, efeito da iluminação criada para deixar o show um espetáculo de som e luzes. Grilo duas horas antes do início foi pessoalmente testar os programas de iluminação e dar as últimas coordenadas pro Egídio, o técnico contratado para a primeira turnê da banda…

Kátia chegou à república para se despedir naquele dia de sexta feira tão comprido. Marina iria ficar mais uma semana, pois tinha algumas coisas pra resolver antes de voltar para sua cidade natal onde começaria a exercer a profissão. O pai já tinha alugado um cômodo no centro da cidade pro seu escritório. Virginia, uma das novas inquilinas da casa que por quatro anos serviu de moradia para as estudantes Marina, Kátia e Laura, ligou o velho aparelho de som da sala. Quando o som ecoou pela casa aquela música alegre falando de paz mexeu com Marina, Virgínia explicou que era de uma banda nova que ela estava ouvindo, uma banda com nome estranho em inglês. Kátia brincou com à Marina: agora aquela casa iria abrigar três novas meninas com seus novos sonhos e suas novas inquietações.

Cerca de oito mil pessoas encheram o ginásio para pouco mais de duas horas de show. Speed Leg, a banda do Willian faz um som redondo, rápido e certeiro. Seus shows são celebração e festa. O público se diverte muito e pula bastante. Alguns ensaiam os moshs, outros batem cabeça e cantam junto os versos com toda força. No palco há uma sintonia muito boa entre os músicos e isso permite que a parte final do show seja toda feita na base do improviso com Willian inventando um riff e o restante do grupo correndo atrás. A letra de uma canção que ele vinha trabalhando já há algum tempo lhe veio à mente. De repente ele se lembrou de um episódio que nunca sai de sua cabeça. Naquele dia todo o público e a própria banda viu surgir matadora a bela “Doce Pancada”:

               “Atrás do soco, a pancada do beijo/a surpresa, o troco/limiar do desejo/a servir de estofo/a lembrar o que não esqueço/seus lábios, seu rosto/tudo que nunca mais vejo”.

Marina estava feliz. Nem sabia por quê… Sozinha no quarto brincava de inventar futuros. Que venham os meses seguintes e o desafio de ser uma boa advogada. E outra coisa lhe veio a cabeça também: era necessário se desarmar para uma nova relação. Aqueles anos que passou sozinha endureceram sua alma e a tornaram, um tanto quanto, amarga e aquela situação de fim de um período, início de outro a fizeram sentir que precisava mudar…

Roqueiro faz certo sucesso com as mulheres. Existe a bem da verdade um tipo específico de mulher que tende a gostar e até ir atrás de roqueiro, de artistas de rock. William, dos quatro integrantes da banda era o único que não se aproveitava desse “sucesso” repentino. Após o show pegou uma garrafa de whisky e se sentou sozinho no camarim. Estava se sentindo um pouco estranho por ter terminado o show com aquela música. De onde veio aquilo mesmo? Afinal, a vida, ele já sabia desde cedo, também é uma sucessão de desenganos…

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