Um amor rock’n roll – parte 14

Um amor rock’n roll – parte 14

O tumulto ao fim do show foi algo até normal, mas o problema é que quem acabou quase morrendo pisoteado, mais por conta de um desequilíbrio de alguém não muito acostumado com situações limite, foi um verdadeiro “filhinho-de-papai”. O rapaz de uma família de empresários de Avaré perdeu o show, foi parar num hospital após o desmaio e teve uma fratura na perna direita. Reclamou com seu pai solicitando alguma providência. O pai advogado resolveu procurar por um advogado especialista.

O destino prega peças. Peças que são movidas por mãos invisíveis no xadrez da vida. Um dia de trabalho normal na vida de Marina se transformou por completo após uma ligação na manhã de uma quinta feira. Tudo porque uma série de fatores levou aquele pai a querer contratá-la. Queriam uma advogada que tivesse alguma experiência com shows de rock e foi um amigo advogado que disse: “contrata essa garota, ela é roqueira…”.

Toda a contratação se deu via telefone e internet. Marina ficou sabendo dos detalhes da ocorrência e só se deu conta de que banda que era, quando já estava contratada. Alguém do passado batia à sua porta…

Willian, de férias, foi parar uns dias na chácara que ele deu de presente para a sua família. Com a correria da turnê ele ainda não tinha usufruído dessa conquista. Ele constatou feliz, que fez a melhor escolha: aquela parada e o descanso vieram muito bem a calhar. Os dias passavam mais lentamente, as conversas com seus familiares eram algo extremamente saborosas e não fosse uma ligação de uma tal doutora Marina, tudo estava extremamente a contento.

Ele realmente não sabia que tinha tido um tumulto antes do último show e disse isso a ela. Engraçado que aquela voz no celular parecia familiar. Ela não contou que o conhecia e ficou com a impressão de que sua resposta tinha sido arrogante. Tudo bem, as pessoas mudam com o tempo, ainda mais quando se tornam famosas, pensou ela.

Willian depois de encerrar a ligação resolveu ligar para Beto, seu melhor amigo na banda e talvez, seu melhor amigo na vida. Ele decidiu contatar o empresário que havia marcado e comandado o show. Afinal de contas, a responsabilidade pelo show não era da banda e sim dele.

 

Ela desligou o celular e ficou se perguntando por que cargas d’água resolveu ligar para o membro da banda mais conhecido e mais próximo. O certo, ela sabia, era ligar para o empresário do show e falar com ele, afinal de contas, era ele o responsável pela organização do evento. Mas não, não… Ela não podia perder a oportunidade de depois de tanto tempo, voltar a ouvir a voz dele. E o que sentiu? Ficou se perguntando.

Sentiu que ele já vivia em outro mundo, talvez.

Algo inusitado aconteceu quando Willian começou a contar ao colega de banda sobre a ligação. Finalmente veio a curiosidade em saber como tinha ela conseguido o seu número pessoal. Nos idos de 1997, o celular começava a se popularizar no Brasil e Willian tinha comprado recentemente um modelo bem moderno um pouco menor do que o que ficou conhecido como “tijolão” e aquela ligação repentina fora a primeira de alguém que ele julgava não conhecer de verdade. Imediatamente ele sentiu que havia sim um peso muito maior em seus ombros por causa da fama, seja ela do tamanho que fosse.

A maneira como Marina conseguiu o número de Willian foi o mais simples possível, já que naquele tempo sabendo o nome inteiro da pessoa era muito fácil descobrir isso, dada a quantia tão pequena de proprietários de telefones-móveis.

Com a pulga atrás da orelha, Willian ligou para o empresário do show e contou a ele sobre o telefonema. Ele respondeu que tinha acabado de receber a ligação de uma advogada da cidade. Doutora Marina, o nome dela, falara duramente da possibilidade de um processo contra a organização do show por conta da falta de segurança que levou seu cliente a quase ser morto pelos frequentadores (como se o mesmo não era um deles?!!)… Will ouvia tudo quase que sem ouvir, pois na mesma hora, lhe veio à cabeça as lembranças de certa Marina que fazia parte de seu passado e finalmente ele lembrou porque tinha achado a voz da advogada tão familiar.

Ao mesmo tempo Marina lia numa revista notícias sobre sua banda preferida, que dava conta de que da formação original, só o vocalista continuaria, já que todos os outros, incluindo Slash e Duff McKagan, haviam brigado com Axl Rose. Bateu uma tristeza, uma decepção muito

 

grandes, e impossível não relacionar tudo isso a um novo tempo que estava começando. A vida adulta não permitia certas ilusões e Marina colocou no deck em seu escritório, o “Use Your Ilusion – II”, para tocar. Os primeiros acordes e o assovio de “Civil War” preencheram o vazio e embalou as lágrimas que caíram de repente…

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