Um vício

Um vício

Como professor, fico impressionado com esses jovens. Às vezes bem cedo, antes das oito horas e já tem aluno teclando no celular, conversando freneticamente como se não houvesse amanhã. Não sei se sinto pena. Não sei se sinto asco. Não sei… Fico preocupado porque já virou um tipo de sociopatia. Nossos jovens já são dependentes desse objeto. E o que fazer? Eu já cheguei naquele ponto de que só tomo o celular quando a coisa é exagerada. Se não… Deixo… Vou levando…

Mas é algo que incomoda. E eles nem conseguem perceber o quanto. Talvez porque é um vício e vícios são assim. Quem os tem não dimensiona o estrago.

É necessário fazer algo. Com o tempo vamos ter casos de problemas de déficit de atenção relacionado com o fato de que esses jovens não conseguem conciliar atividade rotineira com o “hábito” do celular.

Outros problemas serão de ordem física. Teremos no futuro uma geração de surdos. Eles ouvem o tempo todo música alta em foninhos que não largam nunca. Teremos adultos com problemas nas articulações das mãos de tanto que teclam o tempo todo…

Exagero?

Prestem atenção e perceberão que não…

Enquanto isso, vamos sentindo uma nostalgia do tempo em que essa coisa não existia e tudo era mais intenso e menos superficial. Hoje acabo falando mais com meus filhos pelo WhatsApp do que pessoalmente, já que sou divorciado e não vivo com eles. Eles preferem… Hoje tem muita gente preferindo “conversar” por mensagens que ouvindo a voz da gente: que coisa estranha! Infelizmente a vida corre muito pr’um lado abstrato e frio…

Existe algo salutar e essencial: a conversa.

Conversar: aquilo que fazemos de maneira interpessoal harmoniosamente emitindo opiniões, ideias, impressões e contando fatos a um ou mais interlocutores. Numa conversa podemos olhar os olhos dos outros, perceber seus gestos, seus movimentos e ver suas reações. Uma das coisas mais gostosas da vida é gargalhar com quem gostamos. KKKK nenhum reproduz a sensação de dar risada com os amigos na vida real. Ser feliz virtualmente é algo superficial demais para ser levado a sério de verdade.

Os jovens de hoje perceberão lá na frente que deveriam deixar um pouco de lado seus celulares para estarem com os seus entes queridos. Afinal de contas, a foto na telinha não dá conta do cheiro, do calor e do carinho da mãe, do pai, dos avós ou de qualquer pessoa…

Concluo que é muito cansativo isso tudo. Se a tecnologia existe para ajudar é triste constatar que nos tornamos, e rapidamente, reféns dela. Um meio de comunicação simplesmente interfere em nossos hábitos, modificando nossas vidas e renovando até os nossos desejos e anseios e vamos achando normal… O aparelho móvel celular deixou de lado a sua função básica adquirindo outras. O ser humano foi atrás e esquece ritos de vida primordiais para se entranhar em outros nem tão fundamentais assim.

Muitos de nós já fizemos do celular parte de nossos corpos…

Devemos então nos habituar a isso?

Perdoem-me, mas por uma questão de educação… Não…

 

Marco Antônio de Almeida

Previous Realidade
Next O que eu não escrevi

0 Comments

No Comments Yet!

You can be first to comment this post!

Leave a Reply