Uma história e um eterno encontro numa esquina

Uma história e um eterno encontro numa esquina

Sabe aquele final clássico de contos de fadas “e foram felizes para sempre”!? Pois bem, mais ou menos conheço um e bem familiar. Não necessariamente “sempre”, já que “sempre” há um fim na história vivida, mas para todo o sempre, ou pelo menos por muito e muito tempo, além de estarem sepultados juntos, também estarão se encontrando de outra forma, digamos até poética. Já explicarei essa história, primeiro é necessário contar resumidamente um pouco das origens. Em 1910, como muitos moradores do sul da Itália almejando melhores condições de vida, Domingos Bruno Faraco (Caldeireiro, 43) e sua grávida esposa Elena Avoglio Bruno (34) resolveram de Maratea (Acquafredda), juntamente com as crianças Braz (13, filho de Domingos do primeiro matrimônio), Luiz (3) e José (1), partir para a América do Sul, especificamente o Brasil com finalidade de fixar moradia e trabalho. Cruzaram o Mediterrâneo e Atlântico por semanas no vapor Pampa até aportarem em Santos em 27/05/1910, subiram a serra até São Paulo e depois rumaram de trem para uma fazenda de café em Piraju, que mais tarde seria parte do município de Manduri. Nesse local labutaram muito na lavoura por alguns anos até se mudarem para Avaré com mais três filhos que nasceram nesse meio tempo, Francisco, Miguel e Antonio (meu avô). 

O tempo foi passando na “famíglia” e cada filho foi tomando seu rumo, uns no comércio e outros com a lavoura. José se torna encanador – começando uma tradição – dos bons, conhece uma bela jovem, Itália, enamoram-se por um período até contraírem núpcias no ano de 1936 e casados foram residir à Rua Piauí, praticamente ao lado do Largo São Benedito. Durante décadas, José trabalhou em inúmeras residências e prédios com seu ofício e ela, além das atividades do lar, fazia colchas e roupas de mesa com retalhos, também tinha um dom especial, aliviar mau jeito e luxações (eu mesmo já precisei por algumas vezes na década de 80 colocar meu “dedão” no lugar quando moleque “catava” no gol e jogava vôlei).  Comemoram bodas de ouro juntamente com a família na igreja de São Benedito no inverno de 1986 e em meados dos anos 90 “partiram”, um logo atrás do outro sem muita espera. Durante aproximadamente 60 anos de união, o casal teve sua vida familiar exemplarmente digna, foram ativos dentro da comunidade social e religiosa, mas o destino, com aquelas razões que ninguém conhece, não os deixou que tivessem um filho vivo como continuidade terrena, mas esse mesmo destino fez com que de alguma forma ficassem num eterno contato inusitado. Há 15 anos, no então Bairro do Camargo, duas ruas receberam o nome de José e Itália e assim, como em suas vidas ligadas, continuam se encontrando numa esquina.

Rua 1

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