Você não vai comprar um livro de bruxaria!

Você não vai comprar um livro de bruxaria!

Fui comprar uns livros lá na Feira do Livro, que está acontecendo no Largo São João até o próximo dia 13. Muito legal mesmo. Tem várias obras por menos de R$ 20, a maioria a R$ 10 e alguns a R$ 5. Tem também algumas obras que custam R$ 50, mas essas são a minoria absoluta.

Sou muito fã de livros. Inclusive, tenho uma coleção que já ultrapassou os 600 exemplares. Você pode achar isso muito interessante, intelectual e coisa e tal, mas a verdade é que a dita coleção já está virando um problema, pois estou ficando sem ter onde guardar tudo isso. A despeito de o meu Escritório estar literalmente repleto de livros, isso não me impede de realmente continuar colecionando.

Gosto de ler, e uma coisa que aprendi com o passar dos anos, é que os livros despertam emoções para o bem e para o mal. Um mesmo livro, muitas vezes, pode trazer epifania para uma pessoa, e ignorância para outras. Podemos usar como exemplo, os cristãos radicais que queimam o Alcorão, e os islamitas radicais que queimam a Bíblia. Em princípio, os dois livros são bons e trazem magníficas mensagens, mas nem todos os leitores das duas obras compreendem o seu verdadeiro significado.

Pode parecer engraçado, mas não é. Na já citada Feira do Livro, ouvi uma senhora dizer para a sua netinha, que ela não poderia levar livros de bruxaria para casa. Confesso que fiquei muito espantado, uma vez que já havia circulado por todas as mesas e prateleiras, sem ter encontrado nenhum livro de magia negra, por isso decidi me virar e conferir qual era a obra do mal que a dócil menina queria levar para casa. Para minha surpresa, ele era um livro grande, grosso e muito vendido no mundo todo. Sua autora se chama J. K. Rowling, e a obra de bruxaria era o clássico da moçada: Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Essa cena triste e inusitada me lembrou de uma outra, onde a ignorância também imperou:  Na quinta série, eu estudava no colégio Objetivo. Durante uma Reunião de Pais e Mestres, os pais de uma das minhas colegas acharam que era uma boa reclamar que a escola estava influenciando negativamente os alunos com a obra O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Com tanta coisa boa no mundo, porque a escola queria mostrar justamente os domínios do Capeta para as pobres crianças que ali estudavam? Um verdadeiro absurdo.

Para não ter atitudes como as citadas, procuro ler sobre tudo. Sei que nunca terei conhecimento, ainda que mínimo, sobre cada ciência ou conhecimento que paira sobre a Terra, entretanto, também sei que me afastar da Literatura não vai ajudar.

Esses dias vi no Facebook um pensamento que, acho, combina perfeitamente com essa coluna. Ele era mais ou menos assim: “Do livro não me livro, e nem quero me livrar. Se do livro eu me livro, como livre vou ficar?”.

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Curiosidade:

Essa foi a primeira coluna para o site que eu não digitei, mas sim ditei para o teclado inteligente do Google por meio de meu iPad. E não é que o dito cujo se demonstrou bastante eficiente, a exceção dos sinais gráficos, tal como espaço, virgula e ponto final? Se os caras derem um jeito nisso, o programa terá muito futuro!

Para o escritor não é uma boa, pois não há tempo para analisar a colocação de palavras, mas para os portadores de deficiência ou mobilidade reduzida, é uma baita mão na roda!

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