Porque vivemos em uma sociedade beligerante?

Porque vivemos em uma sociedade beligerante?

Nos últimos meses, tenho pensado muito sobre os motivos que nos levam a viver em uma sociedade extremamente beligerante, ou seja sempre, predisposta à guerra.

E isso, em refletindo-se constantemente em nosso dia-a-dia, onde qualquer piada gera acusação de bullying e qualquer opinião dada, muitas vezes por meio das redes sociais e de maneira impensada, faz com que seu emissor passe a carregar consigo a pecha de homofóbico, machista, xenófobo ou sei lá o quê mais, traz muitos problemas para o Poder Judiciário.

Na Justiça, há o assoberbamento dos já semi-paralisados Tribunais, eis que se criou a mística sensação de que tudo pode ser resolvido por um Juiz. Em resumo, criamos uma sociedade onde os seus integrantes, dos mais diversos níveis econômicos e sociais, não conseguem dialogar entre si.

Para traduzirmos isso em números, vale analisar o último e já em muito ultrapassado relatório “Justiça em Números”, publicado no longínquo ano de 2014, que foi elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça, o qual nos traz que ainda no final de 2013 havia no Brasil, incríveis 95,14 milhões de processos em tramitação, e que só naquele ano, ingressaram nada menos que 28,3 milhões de novas ações em todos os mais diversos Tribunais do País.

Impressionado? Pois saiba que em 1988, tramitavam apenas por volta de 350 mil processos na Justiça do Brasil, o que significa que em 25 anos a demanda judicial do Brasileiro aumentou impraticáveis 270 vezes.

Especialistas afirmam que a Constituição da República de 1988 foi uma das culpadas por esse cenário, pois consagrou um amplo rol de direitos fundamentais, individuais e sociais, esquecendo-se de imputar ao cidadão deveres e obrigações na forma de contrapartida, como em qualquer Nação civilizada.

Muito embora o motivo supracitado seja importante, devemos considerar ainda ao menos mais outros dois fatores: A cultura briguenta do Povo e a postura adotada pela maioria dos Juízes, que valem-se de entraves processuais para  evitar decidir sobre o mérito das questões.

É claro que o acesso à Justiça para todos é importante, mas um excesso está certamente ocorrendo, pois estamos com mais de 95 milhões de processos andando atualmente. Por isso, aqueles que buscam a proteção estatal devem ter consciência de que ela tem a função de substituir-lhes a vontade, em hipóteses nas quais o acordo voluntário não é possível.

Nesse norte deve ser o pensamento dos cidadãos, pois quando um não quer, dois não brigam. Manter a postura de guerra que vamos levando, é permitir e possibilitar que os nossos conflitos jamais serão resolvidos num tempo razoável.

Resumidamente, a nossa falta de capacidade para dialogar e aceitar a opinião alheia naturalmente está nos prejudicando de tal maneira, que optamos pelo absurdo de permitir que terceiros resolvam nossos problemas pessoais e comezinhos sem sequer termos remorso algum em razão disso.

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